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Archive for the ‘Artigos’ Category

Por Sebastião Erculino Custódio

A luta camponesa se dá no enfrentamento ao sistema que prioriza o agronegócio e ela se manifesta por diversas faces: cultural, econômica, na luta pelo espaço, a luta contra os venenos e entre outros a luta pela educação própria e apropriada. Nem sempre temos vitórias, mas também não são poucos os avanços que conseguimos, exemplo disto é a democratização do crédito, as moradias camponesas, o mercado popular de alimentos, as feiras livres, só para citar alguns. (mais…)

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O projeto da Micro Usina do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), já está em andamento. As obras, que iniciaram há 30 dias, estão sendo feitas na comunidade de São José, município de Águia Branca (ES). O projeto começou a ser discutido no estado a partir de 2009, junto a miltância do movimento, por meio de formação e debate.

Depois de finalizada, a micro usina terá uma demanda de 1500 toneladas de cana por ano, com capacidade produtiva de 63.000 litros de cachaça, 27.000 litros de álcool combustível, 16.200 kg de melado, 18.000 kg de açúcar mascavo e 9.600 kg de rapadura, além da possibilidade de beneficiamento da mandioca, batata-doce e sorgo, gerando uma série de subprodutos como ração animal e adubos para a lavoura. (mais…)

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Este ano foi realizado mais um estágio interdisciplinar de vivência (EIV) entre os estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).  A 6ª edição do estágio aconteceu entre os dias 04 e 26 de janeiro de 2012.

O EIV é uma atividade pedagógica que consiste na formação acadêmica e troca de saberes entre estudantes universitários e famílias camponesas. Os estagiários passam por uma formação inicial onde são trabalhados alguns temas voltados para questões sociais e agrárias; depois são encaminhados para as bases dos espaços de vivencias de movimentos sociais do campo, onde ficam alojados nas casas das famílias; e concluem com um momento de retomada para socialização e avaliação do processo. (mais…)

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Mercado Popular de Alimentos: caminhos alternativos para quem planta e para quem come

O “mercado popular de alimentos”, conquista do Movimento dos Pequenos Agricultores, completou neste último dia 09/01, três meses de funcionamento.

Inaugurado no centro de São Gabriel da Palha (ES), o mercado vem oferecendo, nesses três meses de existência, mais de 350 tipos de produtos diversificados provenientes de 100 famílias camponesas de cinco municípios da região que fazem parte das bases do MPA.  (mais…)

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Cerca de 200 camponesas e camponeses de todo o Espírito Santo participaram, entre os dias 13 e 16 de dezembro, do V Encontro Estadual do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). O evento foi realizado na paróquia luterana do distrito de Palmeira, Itaguaçu (ES).

Um dos objetivos do encontro foi aprofundar e consolidar o Plano Camponês, uma nova proposta de produção para o campo brasileiro, a partir de um conjunto de ações políticas, econômicas e culturais para garantir a qualidade de vida do campo e da cidade.

“O plano é uma ferramenta estratégica para a construção de um projeto popular para o Brasil a partir de outra lógica de produção de alimentos no campo. É com base na soberania alimentar e agroecologia, que produziremos alimentos saudáveis para o povo brasileiro e respeitaremos o nosso meio ambiente”, afirmou Valmir Noventa, integrante do MPA.

A atividade ainda serviu de espaço de organização, estudo e formação dos camponeses, além de planejamento das ações do movimento para o próximo ano.  “A realização de mais um encontro estadual demonstra a força do campesinato, nossa capacidade de luta e organização enquanto movimento. Além de representar mais um avanço no caminho contra o agronegócio e na conquista do poder popular”, afirmou Deuzira Conte, militante do movimento.

Aloisio Souza da Silva, mais conhecido como Lula, integrante do MPA e da Via Campesina contribuiu com os momentos de formação do encontro, convocando todos os participantes da plenária a refletir sobre análise de conjuntura global e local, a partir de uma abordagem histórica e crítica do modo de produção capitalista.

A participação expressiva da juventude e das mulheres camponesas marcou o encontro. O protagonismo e criatividade de ambos contribuiu de maneira decisiva para a organização do evento, tanto no preparo e realização de místicas, quanto nas atividades culturais e de comunicação, e na liderança de grupos de discussões.

As crianças camponesas também tiveram presença marcante no encontro e puderam se divertir e aprender alguns princípios do MPA por meio do cinema, desenhos e brincadeiras educativas, durante a ciranda camponesa.

O encontro ainda contou com a participação de diversos movimentos e organizações sociais, tais como: representações de sindicatos, associações rurais, escolas famílias agrícolas, movimentos da Via Campesina, parlamentares e poder público.

MPA comemora 15 anos de lutas e afirmação camponesa

O 3º dia do encontro (15/12) foi afirmado como um momento histórico para toda a militância camponesa que há anos vem construindo o movimento. Nesse dia foram comemorados em tom de festa os 15 anos do MPA, os anos de lutas, resistências, ocupações e conquistas camponesas.

No dia anterior, foram rememorados os 15 anos de história do movimento, com destaque para as conquistas materiais, como as moradias camponesas, feiras livres, mercado popular, produção das sementes crioulas, agroecologia, linhas de créditos, entre outros, contribuindo para uma melhoria da qualidade de vida de camponesas e camponeses; e simbólicas, como a intensificação e valorização das relações entre o campo e a cidade, o  resgate da identidade camponesa e a construção do Plano Camponês.

Integração camponesa

O evento também contou com a participação de camponeses do 5º Distrito de São João da Barra (RJ), que ao final do dia, exibiram o vídeo Narradares de Açu e fizeram uma exposição sobre a situação de desapropriação de terras de pequenos agricultores da região, em decorrência da instalação do Complexo Portuário e Industrial de Açu promovido pela empresa LLX, do empresário Eike Batista.

No início do mês (10-12), representantes do MPA estiveram presentes na região e puderam ver de perto a realidade vivenciada pelos agricultores. O movimento se solidarizou com a situação e se colocou a disposição para contribuir com a luta dos camponeses cariocas. “Essa luta não é só de vocês. Ela também é nossa”, defendeu Cristina Matielo, integrante do MPA.

Assista aqui o vídeo Narradores de Açu

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Por Roberta Traspadine*

Para o Brasil de Fato

14/6/2011

A história da dominação no Brasil encontra no capitalismo uma forma sem precedentes de apropriação da riqueza por poucos sujeitos Roberta Traspadini Uma das características marcantes do modo de produção capitalista é a necessidade de criar mecanismos de conformação e manutenção de poder. Entre eles, está a divisão social e internacional do trabalho e a lógica de funcionamento que provoca mutações para que os órgãos vitais apareçam e se desenvolvam como não vitais. A separação dos sujeitos da realização de suas vidas, a precarização das condições de trabalho e de pertença aos territórios, acentuou os vínculos de dependência e subordinação dos que vivem da venda de seu trabalho. Segundo o IBGE, mais de 190 milhões de brasileiros se dividem entre moradores do campo e da cidade. Enquanto o campo é composto por quase 30 milhões (13,5%) na cidade habitam (84,5%), mais de 160 milhões. Mas esta lógica de separação formal entre o campo e a cidade não é tão real assim.

1. Migrações forçadas pelo mundo do trabalho

A história das migrações no interior da nação e para o exterior tem relação direta com a história da concentração de terra e da superexploração dos trabalhadores do campo. Isto evidencia a tragédia acentuada da questão da educação, saúde, transporte, habitação, tanto no campo quanto nas cidades, e relata a forma como o Estado brasileiro destina seus recursos e trata uma parte da cidade como prioridade. Estes elementos combinados revelam uma estratégia de poder sobre a produção em que o monocultivo e o latifúndio assumem a condução do processo, via coerção popular e/ ou consenso parlamentar. Isto é similar à dominação dos grandes projetos nas cidades.

O grande capital atua também na agricultura brasileira, e se enriquece às custas da necessária mobilidade do trabalho e da valorização especulativa de suas terras.

Dos 5.2 milhões de estabelecimentos no campo, o latifúndio, com mais de 1 mil hectares, fica com 43% do território produtivo do País e soma apenas 1% do total de proprietários, já a pequena propriedade corresponde a 85% dos estabelecimentos e produz em uma área de 24% do total. Este Brasil do grande capital expressa a falácia de uma história de poder que relega o popular aos limites da existência humana e que impossibilita a pertença no campo e nas periferias da cidade para parte expressiva de sua população.

Segundo o valor econômico, as 5 principais commodities do Brasil – minério de ferro, petróleo bruto, complexo da soja, açúcar e complexo de carnes – foram responsáveis por 43% das exportações do País. Já os pequenos produtores cumprem com a humana tarefa de produzir alimentos – 87% da mandioca, 70% do feijão e 34% do arroz – em condições severas ditadas pelo grande capital em sua aliança com o Estado. Os grandes debates sobre as políticas públicas devem ser feitos com base na contradição capital-trabalho, em especial as conseqüências das privatizações da terra, da água e das sementes. Essa lógica dominante tem feito com que parte expressiva dos produtores de alimentos se veja enroscada nessa cadeia desumana de trabalhar para sobreviver, sem tempo para pensar e atuar de forma distinta da aprisionada.

 

2. O campesinato: a classe e seu projeto

Dentro da ordem, o campesinato, enquanto classe, assume seu projeto de vida e luta por direitos constitucionais que permitam à classe trabalhadora consolidar uma vida com dignidade para o campo e para a cidade. Fora da ordem, o campesinato trabalha para consolidar um projeto de sociedade com base em um plano em que o camponês seja o centro de irradiação do desenvolvimento, cuja relação com a terra não é a da troca utilitária mercantil, mas de convivência recíproca e respeitosa.

Um dos grandes desafios do campesinato tem a ver com a reafirmação, no território, do enraizamento dos jovens no campo.

Para isto, são necessárias políticas públicas que garantam possibilidades de realização de uma vida digna e plena de direitos no campo. Educação, saúde, transporte, moradia, crédito e venda dos seus produtos numa outra lógica de estímulo à produção e circulação das mercadorias, tendo o humano como centro.

O campo e a cidade juntos conformam a classe trabalhadora brasileira. Parte expressiva desta classe tem sido relegada à uma política pública periférica, frente à centralidade dos gastos do Estado com o grande capital.

A história da dominação no Brasil encontra no capitalismo uma forma sem precedentes de apropriação da riqueza por poucos sujeitos. E de produção de riqueza pela maioria da população que não consegue sobreviver do fruto de seu trabalho.

A ruptura só ocorrerá através da organização popular unificada entre campo-cidade, cuja irradiação de poder institua uma aliança dos que vivem do trabalho e lutam por se realizar em dita produção.

É necessário que o organismo vivo se levante e assuma com consciência seu papel vital no jogo das contradições. E reforce, na sua vitalidade redescoberta, a necessidade de construção de uma história de poder popular que faça tremer as matérias políticas e econômicas inorgânicas.

A via campesina é um organismo vivo em movimento. Aliada às lutas da cidade, agita um vulcão a entrar em erupção. Esse vulcão é a classe que vive do trabalho e que precisa romper com as amarras (in)formais que a escravizam na lógica fragmentada da dominação.

*Roberta Traspadini é economista, educadora popular, integrante da Consulta Popular/ES.

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Já está estabelecido que a grande mídia não se pauta necessariamente por fatos que sejam efetivamente relevantes para os grandes problemas que ocorrem na sociedade humana. Aliás, como qualquer empresário operando num sistema que visa o lucro, os donos de veículos de imprensa acabam ressaltando ou suprimindo agendas de acordo com seus interesses de classe social. E apesar de eticamente questionável, visto que a ação da imprensa deveria ser voltada para apresentar fatos e não versões de uma dada realidade, isto chega a ser tolerável quando o assunto não é algo de importância estratégica para o bem estar de todos os cidadãos que compõem a sociedade em que estão inseridos. Caso contrário, a omissão de elementos que permitam uma avaliação compreensiva de problemas que nos afetam coletivamente transpõe o campo do que pode ser tolerado.

Um exemplo gritante dos prejuízos da parcialidade da cobertura jornalística está acontecendo neste momento no Brasil. E no centro deste problema está a questão do consumo de agrotóxicos e seus efeitos sobre a saúde de agricultores e dos consumidores finais da produção que é por eles gerada. Esta situação é explicitada pelo fato nada lisonjeiro de que desde 2009 o Brasil se tornou o campeão mundial no consumo de agrotóxicos, e sozinho consome 16% de toda a produção mundial deste tipo de substância química. As conseqüências deste alto padrão de aplicação estão sendo documentadas por estudos científicos que mostram impactos agudos e crônicos sobre agricultores, e que aparecem na forma de uma série de doenças e patologias que incluem diferentes tipos de carcinomas, doenças do sistema nervoso e dermatoses. A coisa fica ainda mais aflitiva se considerarmos que entre as descobertas mais recentes se encontram a descoberta de resíduos de agrotóxicos em leite materno e a ocorrência de alterações cromossômicas que estão alterando as taxas de nascimentos de meninos e meninas. Aliás, em se tratando de detecção de resíduos, aqui mesmo em Campos estudos realizados por pesquisadores da Uenf encontraram vestígios de pelo menos um agrotóxico, de uso abundante na monocultura de cana, na água que chega às nossas torneiras.

No entanto, algo mais abrangente em termos do público atingido vem sendo detectado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) na análise dos alimentos que chegam à nossa mesa. Dados divulgados pela ANVISA em 2009 mostraram que em mais de 64% das amostras de pimentão analisadas foi detectada a presença de agrotóxicos. Mas o problema não fica restrito a uma cultura, visto que nos casos do morango, da uva e da cenoura o montante de amostras contaminadas alcançou 30%. Se considerarmos que o uso intenso de agrotóxicos é hoje elemento intrínseco da produção agrícola nacional, não fica difícil entender por que muitos itens que compõem a nossa dieta cotidiana estão contaminados. Ainda que a taxa de acumulação derivada de frutas e hortifrutigranjeiros contaminados por agrotóxicos possa variar em função dos hábitos alimentares de cada individuo, as chances de que todos estejam caminhando para nos tornar cronicamente contaminados estão ficando cada vez maiores.

Mas onde é que entra a grande imprensa neste imbróglio? Um primeiro aspecto é que esta problemática está sendo mantida fora das pautas principais, e quando aparece é fruto de algum tipo de acidente grave como foi o do derrame de milhões de litros de Endosulfan na calha fluvial do Rio Paraíba do Sul. Além disso, não há um tratamento jornalístico sério que busque ligar a questão do consumo de agrotóxicos e de suas implicações sobre a saúde de toda a população brasileira. Mas algo que eu considero ainda mais vexatório é o fato de que quando chamada a contribuir no esforço que a sociedade civil está realizando neste momento para informar a população brasileira sobre o perigo que estamos correndo, a grande imprensa se omite no papel primordial que deveria cumprir que é o de informar.

É por esta postura da grande mídia que a imensa maioria dos brasileiros continua desinformada acerca da existência da “Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida”que foi lançada em Brasília em 07 de Abril de 2011 por mais de 20 entidades da sociedade civil brasileira, movimentos sociais, entidades ambientalistas e grupos de pesquisa cientifica. Esta campanha, pela importância que tem para todos nós, precisa ser conhecida e divulgada por todos os que possuem um interesse efetivo em garantir o direito de uma alimentação saudável. Para tanto, precisamos parar de aceitar passivamente a manutenção de um modelo de produção agrícola que beneficie principalmente as corporações multinacionais produtoras de agrotóxicos e o latifúndio agroexportador. E aqui é preciso ficar claro que uma tomada de posição contra o envenenamento coletivo por agrotóxicos é a coisa mais lógica a ser feita, visto que os custos sociais e ambientais não respeitam fronteiras de classe social. Aliás, dado que o nível de consumo é ditado pela renda, é bem possível que os setores mais abastados da população brasileira é que estejam neste momento sendo os mais contaminados. Pense bem nisto ao olhar para o seu próximo prato de salada.

*Artigo do Prefessor Marcos Pedlowski, da Universidade Estadual Norte Fluminense (UENF), para a revista SOMOS ASSIM.

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