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Archive for agosto \31\UTC 2011

A 17ª edição do Grito dos Excluídos, realizada no dia 7 de setembro, ocorrerá, este ano, na região da Grande São Pedro, em Vitória. Com a temática “Pela vida grita a terra, por direitos todos nós”, diversas pastorais, sindicatos e movimentos sociais irão denunciar as injustiças da sociedade brasileira e propor alternativas para o Brasil a partir da organização popular.
Ao contrário de anos anteriores, o Grito dos Excluídos não virá após a passagem do desfile oficial. “Decidimos romper com esse modelo tradicional de organização do Grito para demonstrar que a independência comemorada pelo desfile militar não representa a independência do povo brasileiro. Enquanto o Estado exibe as armas dos militares, nós apresentaremos as armas da organização popular em um bairro de periferia”, explicou Luiz Rosa, um dos organizadores do Grito dos Excluídos.
De acordo com a organização do 17º Grito dos Excluídos, a escolha da região da Grande São Pedro ocorreu devido ao fato de ser uma localidade de grande exclusão social, mas ao mesmo tempo de grande resistência histórica por parte da população. “O Grito dos Excluídos quer demonstrar que a real independência do país, a partir da construção de um Projeto Popular para o Brasil, virá da organização do povo”, disse Luiz Rosa.
A concentração do  Grito ocorrerá na Rua Jonael Sócrates Medeiros Ferreira, a partir das 8 horas, no bairro São Pedro V. A caminhada irá percorrer a Rodovia Serafim Derenzi, encerrando o percurso na Praça Dom João Baptista, que é a praça da academia popular.
Eixos temáticos. A organização do 17º Grito dos Excluídos será feita a partir de quatro eixos temáticos: modelo econômico, questão ambiental, juventude e direitos sociais. O eixo do modelo econômico irá denunciar a destinação de grande quantidade de recursos da União para o pagamento de juros da dívida pública, ao invés de priorizar investimentos nas áreas sociais.
O eixo ambiental irá denunciar a utilização de agrotóxicos na produção de alimentos e os impactos na saúde da população. Além disso, irá propor a realização da reforma agrária e a ampliação de recursos públicos para agricultura camponesa, que são maneiras de incentivar a produção de alimentos saudáveis no campo.
O tema da juventude irá trazer à reflexão a situação do extermínio de jovens, sobretudo dos jovens negros e pobres. Além do expressivo número de homicídios, também tem crescido o número de jovens, de 16 a 24 anos, que se encontram encarcerados.
No eixo de direitos sociais, serão apresentados os direitos fundamentais da população e que não se efetivam na prática, como o direito à educação, à saúde, à alimentação, à segurança pública e à moradia.
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A campanha contra os agrotóxicos ganha a dimensão real de superação do que temos, a partir da construção do projeto popular para o Brasil que queremos

Publicado no Brasil de Fato em 23/8/2011

Por Roberta Traspadine*

 

A campanha contra o agrotóxico e pela vida protagonizada pela Via Campesina e demais movimentos sociais articulados da cidade traz, para a sociedade brasileira, dois debates históricos centrais:

1) a produção e o consumo de venenos no Brasil;

2) o modelo de desenvolvimento econômico-social-político (inter)nacional e seu caráter estrutural de disseminação de doenças para a sociedade em geral, mas especialmente para a classe trabalhadora.

  1. Sobre a produção de alimentos:

Dados do IBGE relatam que a agricultura familiar e camponesa no Brasil soma quase 85% das propriedades agrícolas do país, ocupando, contraditoriamente, apenas 24% do espaço.

Em suas terras trabalham aproximadamente 12,5 milhões de pessoas o que corresponde a 74,5% do total dos trabalhadores do campo. Destas propriedades saem quase 70% dos alimentos consumidos pelas famílias brasileiras diariamente.

Mas, de forma cada vez mais intensa, a produção familiar-camponesa está subordinada e condicionada à lógica imperante do modelo agrário imperialista no território. Por um lado, esta produção se divide entre a matriz da agroindústria e a subordinação à matriz tecnológica da revolução verde, consumidora de insumos industriais.

Por outro lado, o agronegócio – aliança entre os grandes proprietários de terra, o capital financeiro e as empresas transnacionais – dita as regras no campo brasileiro, cujo objetivo é a produção de commodities para a exportação.

Com a venda de 1 bilhão de litros de veneno na última safra, as empresas estrangeiras se apropriam de cerca de 80% do lucro gerado pela produção de veneno, com destaque para a concentração do poder econômico da Syngenta, Bayer, Basf, Dupont, Monsanto, Shell Química.

  1. O modelo de desenvolvimento dependente

A característica marcante do capital imperialista no século XXI é sua capacidade de metamorfosear-se para ganhar, de forma extraordinária, em cada uma das áreas em que atua e com isto tentar, de maneira permanente, conter as crises que são inerentes ao seu modo de operar. Capital comercial, capital bancário, capital industrial, são algumas dessas faces do mesmo capital.

Além de vender veneno para o campo para a produção de alimentos para o povo brasileiro, o capital produtivo do veneno associa-se, como capital bancário, às regras legais do Estado que, em sua forma de financiar a agricultura familiar-camponesa, atrela o crédito a uma série de condicionantes centradas na compra destes bens.

O dinheiro emprestado na forma de crédito torna-se irmão siamês do capital por dois motivos: 1) o agronegócio não consegue produzir sem a injeção de R$ 107 bilhões por ano, para tirar R$ 150 bilhões da venda de mercadorias. 2) o principal objeto desta aliança de capitais é o de transformar tudo em mercadoria para obtenção de lucro, na forma de insumos industriais produzidos pelas empresas transnacionais, como o exemplo do veneno.

Isto não é diferente do que acontece com o capital industrial, que transforma praticamente todos os elementos da vida em valores de troca. Assim, saúde, terra, educação, trabalho, vão ganhando um destaque na compra e venda do comércio ditado pelo grande capital. E a propaganda de “naturalização” do modelo ganha corpo e evidência, ainda em meio às mais perversas situações vividas no cotidiano pelo povo brasileiro.

O aumento progressivo de doenças como o câncer em todas as faixas etárias, traz à luz um debate central manifesto na campanha contra o agrotóxico e pela vida que devem ser consideradas, tanto no debate quanto na (re)ação necessária à luta contra a vida envenenada.

  1. O câncer como uma doença “naturalizada”

Segundo A União Internacional Contra o Câncer, mais de 160 mil crianças no mundo são diagnosticadas com a doença a cada ano. 80% destas crianças vivem em países em desenvolvimento. Enquanto 3 entre 4 crianças têm chances de sobreviver após 5 anos de tratamento, estima-se que nos países em desenvolvimento, mais da metade das crianças têm probabilidade de morrer. Somente nos EUA a incidência anual é de 7 mil novos casos por ano.

No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INC), define esta doença como uma das primeiras causas de morte entre crianças e jovens de 0 a 19 anos, só perdendo para violências e crimes.

A estimativa do INC do total de pessoas com câncer no País foi de 490 mil casos. 237 mil homens, 253 mil mulheres afetados com a doença.

Deste grupo, existem de 12 a 13 mil crianças acometidas com câncer, fora os que têm a doença, mas não são diagnosticados e morrem.

Outro destaque importante do estudo é a diferença entre as regiões, a partir do grupo de idade e sua média em relação à nacional.

Observemos didaticamente:

Grupos de Idade Media brasileira de óbitos (para cada 1 milhão) Regiões acima da média brasileira na mortalidade
0 a 1 ano 39 mortes CO (+55); NE (+40)
1 a 4 anos 45 mortes S(+50);CO(+48); SE(+46)
5 a 9 anos 36 mortes CO(+45);S(+40); SE(+39)
10 a 14 anos 33 mortes CO e S(+39); SE(+37)
15 a 18 anos 45 mortes S(+53);CO(+47); SE(+46)
  1. Josué de Castro e sua atualidade:

Em 1946, Josué de Castro, um médico comprometido com a vida e contrário ao veneno já defendia que a fome enquanto fenômeno social e histórico era um tabu rentável no Brasil e no mundo. Quase um século depois, vemos a complexidade do problema, pois, não só não dormem os que comem bem, com medo dos que não comem.

Parte expressiva dos que comem – mal -, não dorme porque suas enfermidades físicas, fruto do histórico processo de desenvolvimento econômico envenenado no campo e na cidade, trazem dores e consequências múltiplas para eles e para os que cuidam deles.

Enquanto isto, o Estado entrega ao capital a responsabilidade de cuidar da saúde de seu povo. É isto o que representa os 3,91% do orçamento destinado à saúde em 2010. Uma associação – via parceria público-privada – entre o Estado e o grande capital para tentar curar de forma mercantil, aquilo que ele foi sócio na produção (uso de veneno).

A campanha contra os agrotóxicos é um processo permanente de vinculação entre o campo e a cidade. Seu ponto de partida é o de relatar como se produz alimento que comemos enquanto trabalhadores brasileiros. Mas vai além e ganha, no processo pela vida e contra o veneno, a dimensão real de superação do que temos, a partir da construção do projeto popular para o Brasil que queremos.

*Roberta Traspadini é economista, educadora popular, integrante da consulta popular/ES.

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Nesta quarta-feira, 24, cerca de 400 integrantes da Via Campesina no Espírito Santo ocuparam a sede do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal (Idaf) com o objetivo de reivindicar a identificação das terras devolutas no estado e a proibição da pulverização aérea de agrotóxicos. Além disso, houve manifestação na agência Pio XII do Banco do Brasil, no centro de Vitória.

 

De acordo com integrantes da Via Campesina, na audiência realizada com representantes do Idaf, foram apresentadas as seguintes reivindicações: regularização das terras quilombolas; fiscalização e proibição da pulverização aérea de agrotóxicos; identificação das terras devolutas e destinação das mesmas para fins de reforma agrária. “Sabemos que a Fazenda Agril, em Aracruz, atualmente ocupada pela Fibria, é uma área devoluta. Queremos que seja destinada às famílias sem terra”, afirmou a integrante do MST, Ednalva Moreira Gomes. A direção do Idaf agendou uma nova audiência com a Via Campesina para o dia 9 de setembro para avançar na discussão da pauta de reivindicações.

 

Durante a tarde, os integrantes da Via Campesina ocuparam a agência Pio XII do Banco do Brasil, no centro de Vitória. A pauta de reivindicação era a ampliação de linhas de crédito para a agricultura camponesa e para as famílias sem terra. Em audiência com representantes do banco, foi solicitado que a pauta fosse enviada a Brasília para fortalecer as reivindicações da Jornada Nacional de Lutas.

 

Os manifestantes permanecem acampados na sede do INCRA e com atividades de rua ao longo de toda a semana.

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O veneno está na mesa!

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Matéria Publicada no Século Diário, em 09/08/2011

Por Flávia Bernardes

Na primeira sessão da Câmara Muncipal de Linhares, os vereadores do município aprovaram a toque de caixa o projeto que regulamenta as feiras livres no município. Aprovado por unanimidade, o projeto impõe que feirantes de outros municípios terão que pagar uma taxa de R$ 200 reais para vender seus produtos na região.

Criticado pelos trabalhadores das feiras, o presidente da Câmara, José Cárdia, afirma que o objetivo do projeto é para trazer benefícios aos feirantes e consumidores, valorizando a agricultura familiar da cidade.

Mas a medida, segundo o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), em Linhares, impõe sem nenhuma discussão com os feirantes e freqüentadores da feita, a redução dos dias de realização das feiras e de seus horários e ainda, determina uma taxa para a participação de feirantes, que há 35 anos vendem seus produtos na região.

O projeto determina ainda que uma das duas feiras antes existentes: uma no bairro Novo Horizonte (BNH), que funciona há 35 anos; outra no bairro Araçás, que funciona há 11 anos, deixe de existir. Ambas contam com a participação de feirantes de outros municípios como Sooretama, Rio Bananal, Aracruz, Fundão, Santa Tereza, Santa Maria de Jetibá e Linhares, que segundo os agricultores familiares trabalham de forma harmoniosa há anos.

A primeira acontece toda sexta-feira das 6 horas às 20 horas e aos sábados pela manhã. A  segunda acontece aos sábados das 5 horas às 12 horas, mas, segundo o projeto aprovado na Câmara Municipal de Linhares, uma das feiras deverá ser extinta e a que permanecer só poderá ser realizada um dia na semana com duração pré determinada: das 6h às 12h.

O projeto, denuncia o MPA, cria impactos preocupantes como a restrição do acesso à alimentação, a concentração de renda, o desemprego e consequentemente a miséria. “É, portanto, contraditório com políticas federais como Brasil sem Miséria e Fome Zero”, declarou o movimento.

Para o MPA, o projeto atende aos interesses dos donos de supermercados e “golpeia violentamente” os pequenos produtores de alimentos da região.

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