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Archive for março \30\UTC 2010

“Plano Camponês: Por soberania alimentar e poder popular”, esse é o tema do III Encontro nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), que acontecerá de 12 a 16 de abril, na cidade de Vitória da Conquista, na Bahia. O encontro reunirá mais de 1000 camponeses e camponesas de todo o país, a fim de discutir e aprofundar uma proposta de plano para afirmação do campesinato.

O “plano camponês” é uma proposta apresentada pelo MPA a partir de uma série de estudos sobre a realidade do campo brasileiro, e propõe um conjunto de ações políticas, econômicas e culturais para garantir a soberania alimentar—com produção de comida saudável para o povo, e vida de qualidade no campo.

O tema a ser debatido, além de reafirmar o campesinato como sujeito político, traz à tona a necessidade urgente de pensar uma nova proposta de produção para o campo brasileiro, que seja pautada na agricultura camponesa, e que se volte para as necessidades do povo, e não do agronegócio.

Atualmente, a agricultura camponesa é a principal responsável pela produção de alimentos no país, garantindo mais de 70% da comida que chega até a mesa dos brasileiros. Com base no modelo de produção agroecológica, a agricultura camponesa promove o repeito à vida e à natureza, com sustentabilidade econômica. Por isso, é de fundamental importância garantir um plano que priorize a agricultura camponesa, e que se consolide como proposta política não apenas para o campo, mas também para a cidade, através da produção de comida limpa e acessível a todos.

A realização do III Encontro Nacional do MPA marca um importante momento de reorganização do movimento nacionalmente, e contará com a participação de representantes da Via Campesina, e de outros movimentos sociais rurais e urbanos, nacionais e internacionais.

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No ano que marca o centenário do dia 8 de março como dia Internacional da mulher,  mulheres  camponesas organizadas na Via Campesina ocupam as ruas de São Mateus para denunciar  os problemas da realidade do campo brasileiro.

Cerca de 400 mulheres da Via campesina e do Movimento de Mulheres Camponesas(MMC) saíram em marcha do trevo Maria Amélia, em São Mateus, em direção ao centro da cidade  onde realizam  neste momento um ato em frente ao Banco do Brasil. As mulheres lutam contra a criminalização dos Movimentos Sociais, contra o agronegócio e os monocultivos de eucalipto e cana no Espírito Santo, e em defesa da soberania alimentar e energética.

Depois, as camponesas devem seguir em direção à prefeitura  e à Secretaria Municipal de Agricultura. A principal via de acesso a esses órgãos já está totalmente paralisada.

A mobilização deve durar o restante do dia, e o encerramento será realizado na “Igreja Velha” de São Mateus, onde acontecerá a doação de 1 caminhão de alimentos para as famílias de comunidades populares da região. Está previsto também a realização de um ato de solidariedade que reunirá 50 mulheres para doar sangue para os hospitais locais.

Mulheres do Movimento dos Pequenos Agricultores de São Gabriel da Palha, Águia Branca, Nova Venécia, Boa Esperança e São Mateus participam da mobilização.

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Nós, mulheres campesinas, ribeirinhas, extrativistas, indígenas, quilombolas e sem terra, neste mês de Março – em que comemoramos os 100 anos da criação do Dia de Luta das Mulheres Trabalhadoras – denunciamos a extrema gravidade da situação do campo brasileiro. Não nos subordinaremos a este modelo capitalista e patriarcal de sociedade, concentrador de poder, de terras e de riquezas. Estamos mobilizadas para enfrentar a crise política, econômica, social e ambiental, criada pelas elites que controlam o Estado brasileiro: o capital financeiro internacional e as empresas transnacionais.
Por isso, denunciamos:


O AGRO E O HIDRONEGÓCIO SÃO INSUSTENTÁVEIS: os monocultivos, com destaque para a cana, soja e eucalipto, causam um forte desequilíbrio ambiental, sérios problemas sociais, gerando graves consequências para a humanidade, através do uso intensivo de venenos. É um modelo que se apropria e domina a água, a terra, as fontes de energia, os minérios, as sementes e toda biodiversidade. Exerce controle das sementes, através dos transgênicos, que provocam o aumento de doenças, especialmente em mulheres e crianças. Avança sobre os recursos naturais, com a ganância de aumentar seus lucros sobre as florestas, na Amazônia e no que resta do Cerrado, da Mata Atlântica, do bioma pampa e do semi-árido nordestino.
SUPEREXPLORAÇÃO DO TRABALHO: os grandes lucros deste modelo são obtidos através de baixos salários, precarização, ameaça constante de desemprego e condições semelhantes de trabalho escravo. É esta superexploração do trabalho que permite que a mercadoria fruto deste modelo seja uma das mais baratas e competitivas do mundo.
FINANCIAMENTO DO ESTADO : este modelo é beneficiado através de investimento público que tira dos pobres em forma de impostos e passa os recursos para os ricos. Sem esses recursos, o governo não consegue investir em educação, emprego, saúde, direitos previdenciários, habitação e reforma agrária. É o modelo mais rentável para os capitalistas, e o mais dependente dos investimentos públicos. Por gerar divisas em dólar, o governo e o Estado lhe dão total amparo. Em especial, em linhas de crédito: o agronegócio recebe mais de 65 bilhões de reais por ano dos bancos públicos. E com isenção dos impostos de exportação. Exportar apenas matéria prima não desenvolve o país, nem distribui renda a todos e todas.
ALIANÇA CRIMINOSA : há uma aliança entre os capitalistas e os grandes proprietários de terra com as empresas transnacionais que controlam o fornecimento dos insumos industriais -adubos, fertilizantes, venenos e máquinas- e o preço e o mercado de cada produto.
CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DA LUTA: nos últimos tempos, o Estado tem utilizado todo aparato policial, o Poder Judiciário e a mídia para defender as empresas, o agronegócio e a propriedade privada e criminalizar as lutas sociais. A criação da CPI do MST é a prova de que querem acabar com o direito constitucional de fazer luta. Exigimos que o governo tenha coragem de pautar uma CPI para as empresas do agronegócio e que o governo tenha também a CORAGEM de implantar o nosso Projeto de Reforma Agrária, uma dívida histórica com os trabalhadores, num país cuja herança é de cinco séculos de latifúndio! Reafirmamos a luta como única saída para as transformações sociais! E nós temos direito de lutar!
Estamos mobilizadas para defender a agroecologia, a biodiversidade, a agricultura camponesa cooperada, a produção de alimentos saudáveis, a Reforma Agrária, os direitos previdenciários, a saúde e educação gratuita e de qualidade para todos. Para defender a terra, a água, as sementes, a energia e o petróleo como bens da natureza a serviço dos seres humanos.
Por um mundo sem violência contra as mulheres – nossa luta também é pelo fim de toda forma de violência cometida contra as mulheres. A violência está alicerçada no machismo, no modelo de sociedade patriarcal e capitalista, que nos coloca como mercadorias e objetos, e outras formas de mercantilização do nosso corpo, além da exploração da nossa força de trabalho não remunerada.
Temos o direito de decidir sobre os rumos de nossas vidas e de nossa sexualidade. A violência contra a mulher precisa acabar no nosso país e devemos construir uma sociedade onde todos e todas tenham o direito de viver com dignidade. E para isso, convocamos todo o povo brasileiro a ir à luta, e a nos unir para construir um novo projeto de desenvolvimento, que beneficie o povo brasileiro e que seja alicerçado por novos valores e novas relações sociais.
Seguiremos lutando e organizando as mulheres, os homens, a juventude trabalhadora, as crianças, para defender os nossos direitos de viver no Brasil justo, igualitário, soberano e sem violência contra as mulheres!
VIVA OS 100 ANOS DO 8 DE MARÇO: DIA INTERNACIONAL DE LUTA DAS MULHERES TRABALHADORAS!

VIA CAMPESINA BRASIL – MARÇO 2010

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