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Archive for junho \28\UTC 2011

A produção e o acesso à alimentação de qualidade serão temas debatidos no “Seminário sobre a questão do alimento, um olhar sobre a diversidade”, que acontecerá nesta quinta-feira, dia 30, a partir das 8 horas, na Universidade Federal do Espírito Santo.

O seminário pretende abarcar parte das multiplicidades de questões que envolvem a alimentação, que incluem aspectos da produção de alimentos, os atores envolvidos, a comercialização, a democratização do acesso ao alimento, bem como a importância e o direito à uma alimentação de qualidade.

O evento está sendo organizado pelo Grupo de estudo sobre a questão do alimento, que integra o projeto de extensão universitária Observatório dos Conflitos no Campo no Espírito Santo e conta com o apoio do Comitê Estadual da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos.

Para se inscrever basta enviar um e-mail para occa.es@yahoo.com.br com nome, número de documento de identificação (RG) e nome da instituição que atua. Para outras informações acesse o site: www.occaes.blogspot.com

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A Via campesina entregou na última terça-feira, 14, mais de 5 toneladas de alimentos para as famílias que foram desalojadas do bairro Nova Esperança, em Barra do Riacho no município de Aracruz. Os donativos são frutos de uma campanha de solidariedade organizada pela Via Campesina que, além de alimentos, arrecadou roupas, colchões, cobertores, materiais de limpeza e higiene pessoal.

 De acordo com Valmir Noventa, dirigente do MPA e da Via Campesina, o resultado da campanha superou as expectativas. “O resultado foi mais que satisfatório, arrecadamos uma grande quantidade de grãos, frutas e legumes, além de materiais de uso pessoal. O resultado surpreendeu a todos”.

 A entrega dos produtos aconteceu no Ginásio de Esportes de Barra do riacho, onde está abrigada a maior parte das famílias expulsas do bairro Nova Esperança. O momento foi marcado também pela entrega da bandeira da Via Campesina, em sinal de respeito e solidariedade às famílias.

 “Essa doação não busca apenas suprir a necessidade momentânea das famílias, mas também fortalecer o processo de resistência que elas estão construindo na luta pela moradia. Essa ação representa a unidade dos movimentos sociais do campo e da cidade por meio de um sentimento de classe que une os trabalhadores. A necessidade alimentar não pode ser um obstáculo para que essas famílias continuem lutando pelo direito à moradia, por isso somos solidários e vamos continuar contribuindo”, disse Valmir.

 Cerca de 400 famílias ficaram desabrigadas em uma ação de desocupação violenta da Polícia Militar que destruiu o bairro de Nova esperança no dia 18 de maio, onde residiam. A desocupação foi ordenada pela Prefeitura Municipal de Aracruz que ainda não garantiu assistência adequada para os moradores atingidos e ainda ameaça cortar a alimentação que estava sendo oferecida.

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Por Roberta Traspadine*

Para o Brasil de Fato

14/6/2011

A história da dominação no Brasil encontra no capitalismo uma forma sem precedentes de apropriação da riqueza por poucos sujeitos Roberta Traspadini Uma das características marcantes do modo de produção capitalista é a necessidade de criar mecanismos de conformação e manutenção de poder. Entre eles, está a divisão social e internacional do trabalho e a lógica de funcionamento que provoca mutações para que os órgãos vitais apareçam e se desenvolvam como não vitais. A separação dos sujeitos da realização de suas vidas, a precarização das condições de trabalho e de pertença aos territórios, acentuou os vínculos de dependência e subordinação dos que vivem da venda de seu trabalho. Segundo o IBGE, mais de 190 milhões de brasileiros se dividem entre moradores do campo e da cidade. Enquanto o campo é composto por quase 30 milhões (13,5%) na cidade habitam (84,5%), mais de 160 milhões. Mas esta lógica de separação formal entre o campo e a cidade não é tão real assim.

1. Migrações forçadas pelo mundo do trabalho

A história das migrações no interior da nação e para o exterior tem relação direta com a história da concentração de terra e da superexploração dos trabalhadores do campo. Isto evidencia a tragédia acentuada da questão da educação, saúde, transporte, habitação, tanto no campo quanto nas cidades, e relata a forma como o Estado brasileiro destina seus recursos e trata uma parte da cidade como prioridade. Estes elementos combinados revelam uma estratégia de poder sobre a produção em que o monocultivo e o latifúndio assumem a condução do processo, via coerção popular e/ ou consenso parlamentar. Isto é similar à dominação dos grandes projetos nas cidades.

O grande capital atua também na agricultura brasileira, e se enriquece às custas da necessária mobilidade do trabalho e da valorização especulativa de suas terras.

Dos 5.2 milhões de estabelecimentos no campo, o latifúndio, com mais de 1 mil hectares, fica com 43% do território produtivo do País e soma apenas 1% do total de proprietários, já a pequena propriedade corresponde a 85% dos estabelecimentos e produz em uma área de 24% do total. Este Brasil do grande capital expressa a falácia de uma história de poder que relega o popular aos limites da existência humana e que impossibilita a pertença no campo e nas periferias da cidade para parte expressiva de sua população.

Segundo o valor econômico, as 5 principais commodities do Brasil – minério de ferro, petróleo bruto, complexo da soja, açúcar e complexo de carnes – foram responsáveis por 43% das exportações do País. Já os pequenos produtores cumprem com a humana tarefa de produzir alimentos – 87% da mandioca, 70% do feijão e 34% do arroz – em condições severas ditadas pelo grande capital em sua aliança com o Estado. Os grandes debates sobre as políticas públicas devem ser feitos com base na contradição capital-trabalho, em especial as conseqüências das privatizações da terra, da água e das sementes. Essa lógica dominante tem feito com que parte expressiva dos produtores de alimentos se veja enroscada nessa cadeia desumana de trabalhar para sobreviver, sem tempo para pensar e atuar de forma distinta da aprisionada.

 

2. O campesinato: a classe e seu projeto

Dentro da ordem, o campesinato, enquanto classe, assume seu projeto de vida e luta por direitos constitucionais que permitam à classe trabalhadora consolidar uma vida com dignidade para o campo e para a cidade. Fora da ordem, o campesinato trabalha para consolidar um projeto de sociedade com base em um plano em que o camponês seja o centro de irradiação do desenvolvimento, cuja relação com a terra não é a da troca utilitária mercantil, mas de convivência recíproca e respeitosa.

Um dos grandes desafios do campesinato tem a ver com a reafirmação, no território, do enraizamento dos jovens no campo.

Para isto, são necessárias políticas públicas que garantam possibilidades de realização de uma vida digna e plena de direitos no campo. Educação, saúde, transporte, moradia, crédito e venda dos seus produtos numa outra lógica de estímulo à produção e circulação das mercadorias, tendo o humano como centro.

O campo e a cidade juntos conformam a classe trabalhadora brasileira. Parte expressiva desta classe tem sido relegada à uma política pública periférica, frente à centralidade dos gastos do Estado com o grande capital.

A história da dominação no Brasil encontra no capitalismo uma forma sem precedentes de apropriação da riqueza por poucos sujeitos. E de produção de riqueza pela maioria da população que não consegue sobreviver do fruto de seu trabalho.

A ruptura só ocorrerá através da organização popular unificada entre campo-cidade, cuja irradiação de poder institua uma aliança dos que vivem do trabalho e lutam por se realizar em dita produção.

É necessário que o organismo vivo se levante e assuma com consciência seu papel vital no jogo das contradições. E reforce, na sua vitalidade redescoberta, a necessidade de construção de uma história de poder popular que faça tremer as matérias políticas e econômicas inorgânicas.

A via campesina é um organismo vivo em movimento. Aliada às lutas da cidade, agita um vulcão a entrar em erupção. Esse vulcão é a classe que vive do trabalho e que precisa romper com as amarras (in)formais que a escravizam na lógica fragmentada da dominação.

*Roberta Traspadini é economista, educadora popular, integrante da Consulta Popular/ES.

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Consulta Popular, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)

Nota de repúdio:

Pelo direito de lutar dos estudantes !!!

Contra a indigna ação da Polícia Militar !!!

 

 

A Consulta Popular do ES, o MPA e o MST vêm, por meio desta, declarar sua profunda indignação e contestação à desumana ação do Estado capixaba, através do Batalhão de Missões Especiais (BME), sobre os estudantes, ocorrida ontem. Declaramos também nosso apoio incondicional à ação dos estudantes pelo direito de se manifestar e lutar por conquistas que beneficiarão a classe trabalhadora. A polícia militar – braço armado e disciplinado do estado para conter todo legítimo e legal direito de manifestação garantido pela constituição brasileira – tem abusado excessivamente das atribuições que o estado de direito lhe reserva, como sua força mantenedora da ordem. As armas e o poder formal deste aparelho repressor foram utilizadas como forma de conter, ameaçar, brecar nossas dignas manifestações populares, tanto no agora ocorrido, quanto no deplorável processo de Barra do Riacho. Em pouco tempo de gestão, este governo tem mostrado suas garras reais de manter-se no poder, utilizando para isto a histórica lógica de ação da ditadura militar. Por isso e por todos os últimos ocorridos contra nosso povo, numa ação ilegal e ilegítima da Polícia Militar, nós integrantes desta nota, nos unimos às lutas do povo brasileiro e dos capixabas, e tomamos para nós a importância de ampliar a unidade da classe trabalhadora e dos movimentos sociais do campo e da cidade contra o poder armado do Estado capixaba.

 

Pátria Livre, venceremos!

 

Consulta Popular – MPA – MST

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