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Archive for outubro \25\UTC 2010

Entre os dias 08 e 16 de outubro aconteceu na cidade de Quito, Equador, o V Congresso da Coordenação Latino Americana de Organizações do Campo (CLOC/Via Campesina). Com o tema “Contra o saque do capital e do império, pela terra e pela soberania de nossos povos, a América Luta!”, o congresso reuniu, na Universidade Central do Equador cerca de 100 organizações Camponesas de toda a América latina e também de outros continentes.

O Movimento dos Pequenos Agricultores integrou o coletivo dos movimentos sociais brasileiros e acompanhou toda a atividade com uma delegação de 12 pessoas, representando 5 regiões do país. Valter Israel da Silva foi um dos dirigentes do movimento que participou do Congresso e, em entrevista para o site Agricultura Camponesa, falou um pouco sobre a participação do MPA neste importante evento. Acompanhe a sua entrevista:

AC: Quais foram os principais debates colocados durante o Congresso?
O principal debate aconteceu na mesa de “soberania alimentar, agricultura campesina e sementes”, porque esse debate se relaciona diretamente com o que o MPA faz aqui no Brasil. Durante o congresso tivemos a reafirmação da agricultura camponesa e da sua identidade, e também a reafirmação da campanha das sementes de forma muito qualificada. Além do lançamento da campanha continental contra os agrotóxicos, que é um debate que nós estamos fazendo. Então essa mesa de discussão deu o tom do congresso, e ela tem tudo a ver com a nossa estratégia, com o debate estratégico do MPA e com o plano camponês que a gente vem desenvolvendo.

AC: Como esses temas, soberania alimentar, sementes e agrotóxicos, se relacionam, e como o MPA vem trabalhando esse debate?
Quando se debate a reafirmação da identidade e da cultura camponesa se desenha outro modelo de produção para o campo, sem agrotóxicos, recuperando sementes crioulas e recuperando conhecimentos populares. Então a campanha contra os agrotóxicos é muito importante nesse momento, uma vez que o Brasil é pela segunda vez campeão mundial em consumo de agrotóxicos. E reafirmar o campesinato, o processo de recuperação e reprodução de sementes, e denunciar esse consumo extremo de agrotóxicos por meio da campanha é fundamental para a construção desse novo projeto. Portanto, todas essas questões devem estar integradas.

AC: Como o congresso contribuiu para o fortalecimento da agricultura camponesa?
O congresso consolidou uma articulação continental de organizações camponesas, então, partimos para um outro momento do ponto de vista das relações internacionais, dos intercâmbios, da troca de experiências, da construção de um projeto conjunto para o campo. Um projeto não de cada país, mas do conjunto do continente. Esse é um passo extremamente importante para a agricultura familiar campesina.
AC: O congresso permitiu conhecer mais sobre a realidade do campesinato na America Latina?
Com certeza. Em cada mesa e também durante as plenárias, as exposições vinham de diversos países, de diversas realidades, e nos permitiu perceber que o inimigo do campesinato é o mesmo em todo lugar, e a maneira como o agronegócio atua é muito semelhante. Assim, as conseqüências dessa atuação também são as mesmas, e isso nos permite pensar estratégias de enfrentamento comuns a nível continental.

AC: Qual a importância da participação do MPA no Congresso?
A participação do MPA foi importante tanto para o Congresso quanto pra o Movimento. Foi importante para o congresso porque levamos o debate sobre o campesinato, que está muito centrado no Brasil, e muito centrado no próprio MPA. Então conseguimos socializar a discussão do campesinato, que foi um dos principais eixos de debate, por isso o MPA teve uma contribuição muito importante para o congresso. E para o Movimento, de modo mais específico, foi muito importante pois conseguimos participar de muitas atividades, realizar várias reuniões para amarrar intercâmbios e realizar trocas de experiências com outras organizações. Por exemplo, com relação ao Sul do Brasil, construímos uma relação direta com o Paraguai. A partir do congresso saímos com uma visita agendada de 2 movimentos camponeses paraguaios ao Brasil, que virão conhecer as experiências do MPA Paraná nos próximos dias. E ainda esse ano, um grupo do MPA também ira para o Paraguai participar de um acampamento de juventude camponesa.

Nesse sentido o congresso, além de possibilitar todos esses debates, permitiu amarrar parcerias que antes não eram possíveis. Foram feitas articulações com organizações de diversos países, de modo que saímos com intercâmbios e troca de experiências articuladas com mais de 10 organizações. Já temos convite, por exemplo, de organizações do Chile para levar o debate que conseguimos pautar no congresso. O evento abriu uma série de portas para ampliar o debate sobre o campesinato, e também esse leque de relações entre as organizações camponesas.

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Domingos Marileo representante mapuche, iniciou a tarde de trabalhos do dia 13 de outubro no V Congresso da CLOC. “Para nós e por nossas futuras gerações temos a necessidade urgente de valorizar a nossa identidade. Somos os primeiros povos, somos filhos da madre terra. Em nossa condição de mapuche, mas também dividindo nossa condição com outros povos originários, temos que denunciar a opressão dos governos neoliberais, que também se mostra sobre os povos originários, eles usam recursos de poder para expropriar as terras dos nossos povos. Mesmo assim, somos um povo que resiste”, declarou ele. “Através da história podemos ver que o capital tenta invadir nosso território. Os mapuches temos vivido a forma mais cruel da opressão e expropriação, com isso temos tentado lutar por um projeto democrático. Cada dia que passa necessitamos mais de um projeto alternativo em todas as áreas, que confronte o modelo neoliberal e garanta a liberdade dos povos originários”, concluiu o representante mapuche.

Articulação latinoamericana frente aos grandes projetos

“Vamos construindo uma articulação continental que junte as forças frente aos inimigos comuns”, com essa ideia João Pedro Stedile, membro da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Brasil, iniciou sua fala que consistia em fazer um panorama da atual situação agrária na América Latina e do avanço do capital sobre essas terras.

Segundo João Pedro, em cada local o capital se comporta de forma distinta, porque o projeto do capital se constrói sobre bases naturais que se diferem de região para região, de país para país. Mas ele tem um plano geral de exploração e acumulação do lucros e riquezas, que permeia todo esse projeto. Um primeiro ponto a se destacar é que a maioria de nossos movimentos e a tradição que temos, é de que estes se formaram em um momento em que o capital industrial dominava. “Da década de 90 para cá, o capitalismo industrial está ingressando em uma nova etapa. Agora ele já não é dominado pelas fábricas, mas por um capitalismo financeiro, que é controlado pelos bancos e que também está articulado com os grandes grupos econômicos e comerciais. Temos percebido mudanças na forma que o capital chega ao campo. Não é mais o capital industrial que quer vender insumos ao produtor. Há um movimento mais amplo, que levou a tendências gerais que estão ocorrendo em todo o mundo, como a compra de ações de empresas que se transformaram em grandes conglomerados”, frisou João Pedro.

Com a derrota dos países socilaistas e com a economia capitalista fragilizada, organismos internacionais se transformaram em instrumentos de liberação de entrada de capital transnacional em nossos países latinoamericanos, de forma que o capital possa controlar nossas agriculturas, como no caso do FMI e do Banco Mundial. No Brasil, o setor capitalista gera, por ano, cerca 130 bilhões, mas consegue dos bancos perto de 100 bilhões. Ou seja, para gerar essa cifra ele necessita de um investimento quase similar. Segundo João Pedro, foi parte da estratégia dos governos neoliberais, também destruir as articulações e políticas públicas de produção do campo. Agora com governos progressistas no continente, se está tentando derrubar isso, e recompor políticas estatais de proteção aos camponeses.

Em 2008 se instalou uma crise do capital. Era um momento, depois de um período histórico de refluxo dos movimentos sociais latinoamericanos, de retomar e alavancar as lutas no continente. Entretanto, segundo Stedile, na América Latina somente os povos bolivianos estão em ascenso, lutando por políticas públicas nas ruas, junto à população. Em nenhum outro país se viu ou se vê isso. “O que passou em nosso continente é que as contradições do sistema acabaram fortalecendo a ocupação do capital sobre nossa produção agrícola. Em nosso continente tivemos um processo crescente de desnacionalização do nosso campo. Com isso, o capital se apropriou de terras, água, sementes, hidrelétricas, mineradoras, entre outras. Nossas economias não sofreram com a crise, claro, porque o capital correu para cá, para o continente latinoamericano e, com isso, a economia cresceu, mas foi um crescimento para os capitalistas”, destacou João Pedro.

A crise da reserva de petróleo chegou ao ponto de que as empresas petrolíferas e automobilísticas começaram a investir no chamado biocombustível, a quem a Via Campesina chama de agrocombustível, por considerar que essa produção não significa, de nenhuma forma, vida. No Brasil, em três anos, as empreas transnacionais desnacionalizaram 30% de toda a produção de cana de açúcar. A Cargill hoje, no Brasil, industrializa 12 milhões de toneladas de cana por ano. É mais do que toda a produção canavieira dos países do Caribe juntos. E essa é, segundo Stedile, uma proposta para todos os países.

Esses grandes capitais fazem, também, especulações nas bolsas de valores. Com isso, os produtos agrícolas padronizáveis, as chamadas commodities, vendem nas bolsas de mercadoria os alimentos primários produzidos no mundo. As grandes empresas, para proteger seu capital finaceiro, transformam esse dinheiro em títulos mercantis. Toda a safra de milho, trigo e soja, por exemplo, já está vendida até 2015.

Capitalismo e Estado

Como resultado da crise, o capitalismo, que até então não se importava com o Estado, pois considerva que o mercado controlava e resolvia tudo, passa a perceber que a saída que tinham para seus problemas era o próprio estado, pois ele é uma máquina de impostos. Os capitalistas agora, portanto, revalorizaram o estado. Por isso, voltaram a disputar os governos com os movimentos sociais e as alianças de esquerda. Isso fica claro nas tentativas de derrubar os governos progressistas no continente, como o de Rafael Correa, Evo Morales, Lula e outros, pois querem disputar dinheiro dentro do Estado.

Hoje, segundo Stedile, temos uma situação muito grave, pois mudou a classe dominante no campo e o principal controle das produções agrícolas no mundo, agora, está nas mãos das empresas trasnacionais e dos bancos, que estão atrelados a eles. Trinta empresas controlam toda a produção agrícola do mundo, quando não controlam fisicamente, controlam os preços. “O fundamental para eles é controlar os preços, é assim o mercado, inclusive nos países que antes eram exportadores de determinado produto. Tudo se está privatizando. No Brasil, a Nestlé tem uma ‘taxa de ganância’ maior vendendo água do que vendendo leite. Isso também está levando a uma padronização dos alimentos, e isso é um risco para a humanidade. Querem que todos os povos comam a mesma comida. Uma comida que não é saudável e que tem aumentado os casos de doenças e cancês no mundo, principalmente por causa dos agrotóxicos”, destacou Stedile.

O agronegocio veio com o monocultivo, para aumentar suas taxas de ganância. Necessitam, com isso, de máquinas agrícolas e não de mão de obra humana. Outra ponto a se destacar é que precisam sempre de grandes quantidades de venenos, agrotóxicos e, com isso, destróem tudo,água e todos os recursos naturais a sua volta. “A agricultura campesina é a única que pode salvar o planeta porque é ela que protege a biodiversidade, que protege a pachamama”, disse João Pedro.

Dentro da sua lógica expancionista, o capitalismo olhou para os indígenas, afrodescendentes e comunidades tradicionais, como parcelas atrasadas. E com isso, as investidas dele sobre os territórios desses povos tem aumentado muito. Isso causa expulsão e prejudica, ainda, o modo de vida tradicional dessas comunidades. No Brasil há cidades onde se tem grande produção de soja, em que triplicou o número de abortos por causa da água da chuva que as mulheres beberam, e que já vinha com agrotóxico.

“Temos agora que fazer luta de classes para disputar um modelo de produção agrícola. É impossível conviver o modelo capitalista de agronegócio com o modelo campesino, enquanto modelo de produção. Temos também que disputar territórios, para transformar grandes regiões em territórios camponeses”, enfatizou Stedile. Usando uma premissa de José Martí, um grande revolucionário cubano, de que “só o conhecimento liberta verdadeiramente as pessoas”, João Pedro concluiu sua exposição dizendo, “temos que tomar a educação como uma bandeira dos campesinos, para que o conhecimento seja patrimônio de todos que vivem no meio rural. Só é possível manter a juventude no campo, se desenvolvermos formas de emprego de que goste a juventude, aplicando, com isso, seu conhecimento e aprendizado”.

Equipe de Comunicação CLOC

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Cerca de mil delegados e delegadas, representantes de 84 organizações pertencentes a 18 países da America Latina, lotaram o Ginásio da Universidade Central do Equador, durante a inauguração do V Congresso da Coordenação Latinoamericana de Organizações do Campo (CLOC), que aconteceu neste dia 12.

Palavras de ordem, bandeiras, lenços e canções cobriram o espaço do Ginásio e anunciaram a chegada dos dois presidentes da América Latina, que apresentaram suas saudações e ratificaram o compromisso de seus governos para responder as demandas das lutas campesinas, indígenas e afrodescendentes do continente.

No início da noite, em meio aos acordes da canção “Pátria –um hino patriótico do equador” se deu a aparição do Presidente do equador Rafael Correa, acompanhado do presidente da República da Bolívia e membro fundador da CLOC, companheiro Evo Morales Ayma. Os dois presidentes receberam declarações de afeto e respaldo por parte dos delegados e delegadas do V Congresso da CLOC. Sem dúvida, Morales foi o presidente mais aplaudido devido a sua condição de militante orgânico da CLOC.

Depois da tradicional mística, que nesta ocasião representou a luta entre as aspirações populares e os mecanismos imperialistas com que se escravizam os povos da América, foram cantados vibrantes hinos tal como “o povo unido” e “a internacional”, que os presentes cantaram de pé, visivelmente emocionados com o espetáculo das bandeiras de todos os países, cobrindo por completo o cenário do ginásio.

As saudações do congresso ficaram a cargo dos anfitriões e delegados das organizações regionais e internacionais. A comissão política estava representada pelos companheiros Luis Andrango, secretário operativo da CLOC, Rafael Alegria, da coordenação da Via Campesina(VC), Maria del Carmen Barroso da ANAP – Cuba, Itelvina Mazioli do MST, Brasil, Alberto Gómez do México e Francisco Rodrigues da ANAMURI, Chile.

Unidade na luta pela transformação

Yudhvir Singh, coordenador da Via Campesina mundial, assinalou que os povos reunidos na Via Campesina “estão lutando contra o capitalismo, contra a OMC e o FMI. Nossa causa é comum. Estamos lutando pela terra, pelos bosques, pelos recursos naturais, pela água e pelos direitos das mulheres. Estamos lutando pelos pescadores e pelos povos indígenas. Nossa causa é comum, e nosso inimigo também. Lutando todos juntos nada nos vencerá.”

O coordenador da Via Campesina finalizou sua intervenção saudando a luta e a presença das mulheres rurais, que representam a base da agricultura e, portanto, cumprem um papel essencial para o futuro de milhões de pessoas em todo o mundo.

Por sua vez, o prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, saudou a realização do encontro no equador e se referiu aos difíceis momentos vividos por essa nação andina desde o ultimo 30 de setembro, quando um motim policial coligado com os setores de ultra direita tentaram gerar um processo de desestabilização democrática. “Temos que banir para sempre essas práticas que são, senão uma imposição de dominação para nossos povos. Tentaram fazer o mesmo com o companheiro Chávez, na Venezuela, com Evo Morales, e com o companheiro Correa, e acredito que isso demonstra a capacidade de impunidade em todo o continente. Pela primeira vez no continente, todos os presidentes se uniram para dizer não ao golpe, o que representa um avanço significativo na consolidação dos processos democráticos na América Latina”.

Enviaram suas saudações ao V Congresso, em nome da Assembléia Nacional do equador (Poder legislativo do Estado), Silvia Salgado, deputada socialista, e Fernando Cordero, presidente da Assembléia Nacional, quem entregou à secretaria operativa da CLOC a resolução que cumprimenta e compromete o apoio legislativo da Assembléia Nacional às decisões tomadas durante o V Congresso da CLOC.

 

Seguiremos cultivando a esperança, cultivando a critica e mantendo a ira diante da injustiça

O secretário operativo da CLOC, Luis Andrago, presidente da FENOCIN – Equador, saudou a todos os representantes e convidados do evento “a partir do Equador, terra de lutadores e lutadoras, povo herdeiro de profundas lutas sociais e, a partir da America Latina, mãe das raízes, continente da esperança, terra de frutos, de Martí, Mariátegui, Bartolina e outros lutadores e lutadoras dos povos mestiços a quem hoje rendemos homenagens aqui, e com quem abrimos este V Congresso da CLOC.

Luis Andrango saudou a presença dos presidentes das repúblicas do Equador e da Bolívia apontando: “o companheiro Evo Morales é mais um militante da CLOC e um símbolo universal de nossas lutas e hoje Presidente da República da Bolívia. Vivemos momentos em que se faz necessária a luta organizada para derrubar o modelo neoliberal. Vivemos também uma profunda crise da humanidade. Há um claro projeto de dominação e desapropriação de nossos bens naturais. As vitórias eleitorais tem significado o início da derrota das elites”.

O secretário operativo da CLOC destacou também a necessidade de manter a independência e autonomia dos governos, e enfatizou que os governos devem dar passos necessários para uma verdadeira transformação. Andrango acrescentou “necessitamos fortalecer o processo de unidade nos países, nos continentes e no mundo. Um dos espaços será a ALBA, carta da mãe terra. Ter um processo de reforma agrária integral para instalar o Sumak kawsay de nossos povos. Sem feminismo não há socialismo. É necessário enfrentar a lógica perversa do patriarcado e construir novas formas de relação baseadas na reciprocidade e na justiça. Seguiremos cultivando a esperança, incentivando a crítica, e mantendo a ira diante da injustiça.

A CLOC resiste e luta

Uma das dirigentes camponesas e também fundadora da CLOC, Francisca Rodrigues, CLOC-VC-Chile, manifestou sua emoção pela presença dos presidentes na inauguração de um congresso da CLOC depois de 16 anos de sua criação, acrescentando que isso é “o resultado da luta de nosso povos. Fomos nós que lhes demos a tarefa de dirigir nosso continente”.

Francisca Rodrigues disse ainda que valoriza a resposta do companheiro Evo Morales diante da convocatória que o fez estar presente neste V Congreso da CLOC, acrescentando que “hoje está de serviço, mas amanhã o receberemos novamente para estar na luta. Também queremos dizer a nossos presidentes que, depois de um ano de trabalho, depois de mil congressos em todo o continente, aqui estão os camponeses, os indígenas, os/as pescadoras da serra, a selva. Nesse momento damos um passo importante no nosso debate ao afirmar que sem feminismo não há socialismo, e recorremos aos ensinamentos da história, e às lutadoras”.

Evo Morales responde a convocatória da CLOC


Em meio a gritos e palavras de ordem de apoio do povo da Bolívia, o Presidente Evo Morales, fundador da CLOC, manifestou sua alegria de estar presente nesse histórico encontro, e deu sua saudação revolucionária a todos os delegados e delegadas da América Latina, recordando que a Coordenação nasce no calor da campanha dos 500 anos de resistência indígena e popular. Em uma análise sobre o contexto latinoamericano, assinalou que “estamos vendo na America Latina que a direita entreguista, traidora, sobrevive. Venho primeiro pelo convite de vocês, mas também venho expressar meu respeito, admiração, solidariedade com meu irmão Presidente Rafael Correa. Ao governo do Equador e à revolução cidadã do equador, e às forcas sociais do campo e da cidade, defensores dos direitos humanos e da democracia.

 

O presidente da Bolívia também aproveitou para fazer uma prestação de contas política do seu trabalho a frente de seu país, assinalando que está feliz com a nova lei promulgada contra a discriminação, acrescentando “temos outra responsabilidade, que é, para além das reivindicações –soberania alimentar, reforma agrária –poder comentar como avançamos em nossa revolução agrária, como fortalecer a produção. Temos uma responsabilidade como movimento. Como salvar a humanidade é outra tarefa. Nosso grito de guerra pátria ou morte passa a ser planeta ou morte. Temos que salvar o plante para salvar a humanidade”.

Evo Morales sustenta que esses eventos devem dar origem a novas ideias, manifestando finalmente que está orgulhoso de pertencer a CLOC, e faz um chamado para continuar construindo novas políticas para o bem das bases e da humanidade, finalizando “quero que me convoquem, aqui estarei. Não quero receber convites. Quero que continuem me ensinando”.

Radicalizemos a revolução cidadã.


O presidente do equador, Rafael Correa, agradeceu o convite para participar do V Congresso da CLOC, e saudou a presença de todas as representações presentes, dizendo que o V Congresso acontece em um momento histórico da humanidade, acrescentando que a atual conjuntura não precisa de uma reforma agrária, e sim de uma revolução agrária.

Rafael Correa se desculpou com os camponeses, “temos feito muito, mas não o todo necessário. Não tem sido fácil, lutamos contra a crise política e econômica. Quase tivemos um golpe de estado. E para quem acredita que isso é uma farsa, aí esta o carro presidencial com as marcas de balas. Depois da tentativa de golpe, reunimos a equipe de governo e radicalizamos a revolução cidadã. Não tem sido fácil, mas estamos no caminho de uma revolução agrária”.

Correa expressou a necessidade de defender a soberania nacional e alimentar, e chamou a seguir a luta por uma sociedade igualitária, inclusiva e solidária. Também disse que conta com os camponeses e indígenas nesta luta, e que o movimento campesino e indígena conta com seu governo, que está baseado na revolução cidadã.

Com a intervenção final do presidente do equador, se deu por inaugurado o V Congresso da CLOC, onde se debaterão temas diversos e que afetam o/as camponeses/as, indígenas e afrodescendentes do continente. O debate, concentrado nos acordos tomados nos últimos congressos e também nos acordos de Cochabamba consolidará esse processo de poder inclusivo e popular, onde se propõe fortalecer as organizações locais como alternativa ao capital.

Aqui estão os de ontem, os de hoje e os de amanhã. Também estão presentes os filhos daqueles que hoje seguem em nossa memória. A continuidade da vida está garantida. A luta contra o saque do capital e do império, pela terra e pela soberania de nossos povos e, a plena consciência de que sem feminismo não há socialismo, está de pé. A America Latina segue avançando.

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Com um sol radiante e em meio a uma grande festa de cores, mais de mil delegados e delegadas da Coordenação Latino Americana de Organizações do Campo, CLOC, tomaram as principais ruas e avenidas da cidade de Quito com a palavra de ordem “Contra o capital e o império, pela terra e pela soberania alimentar de nossos povos, a América luta!”.

Com bandeiras em punho, mulheres, homens, e jovens militantes de diferentes organizações do campo, indígenas e afrodescendentes de todo o continente se fizeram presente nesta data emblemática de resistência para o povo, durante o V Congresso da CLOC que teve inicio ontem(12), na Universidade Central do Equador.

A marcha partiu do Parque Arbolito, berço de resistência das organizações campesinas e indígenas do Equador seguindo até o Centro histórico da cidade, concentrando-se na praça de Santo Domingo, onde terminou com a intervenção de diversos porta-vozes da CLOC em um ato de múltiplas expressões culturais.

De Quito

Equipe de comunicação da CLOC – Via Campesina

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O companheiro e militante da Coordenadoria Latinoamericana de Organizações do Campo (CLOC), e atual presidente da Bolívia, Evo Morales, confirmou por meio da Embaixada da Bolívia, no Equador, sua presença na abertura do V Congresso da CLOC, no dia 12 de outubro, em Quito, Equador.

Manuel Monroy, encarregado de Assuntos Culturais da Embaixada da Bolívia em Quito, indicou que a estada do companheiro Evo Morales no país será só por algumas horas, já que nesse mesmo dia ele voltará a Bolívia.

Luis Andrango, secretário operativo da CLOC, indicou que o presidente da Bolívia inaugurará o V Congresso da CLOC. Ele destacou, ainda que a presença de Morales no V Congresso é um compromisso de militante, já que o atual presidente boliviano é membro fundador da CLOC. Além disso, foi confirmada também a presença do presidente Rafael Correa neste espaço.

Luis ressaltou que a agenda de discussões do V Congreso tem como ênfase os temas da Reforma Agrária, Soberania Alimentar, Terras e Territórios, Integração e fortalecimento desta instância continental, entre outros. No marco do V Congresso estão sendo realizadas também a III Assembleia Latinoamericana de Jovens e a IV Assembleia Latinoamericana de Mulheres do Campo. No final do Congresso se fará uma declaração com propostas dos diferentes setores camponeses, indígenas e afrodescendentes do continente.
Mais informações:

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Teve início hoje(8) o V congresso da Coordenação Latino Americana de Organizações do Campo (CLOC), com o tema “contra o saque do capital e do império – Pela terra e soberania de nosso povos ”. O Congresso acontece em Quito, capital do Equador, e vai até o dia 16.

A abertura do congresso foi marcada pela realização da III assembléia da juventude camponesa. Na oportunidade, jovens de diversas nacionalidades e culturas levantaram suas bandeiras e trouxeram a público frases e palavras como “direitos humanos juvenis”, “soberania territorial”, “comunicação” “organização” e “internacionalismo”, mostrando o projeto defendido pela juventude camponesa e reafirmando o seu papel na luta pela transformação social.

Durante a assembléia da juventude os participantes debateram o estágio atual do imperialismo na América Latina e os desafios para a construção de um projeto político popular. Como desafios, foram pontuados ao longo do debate a necessidade de retomar a luta de massas, fazer o enfrentando ideológico ao imperialismo e trabalhar a formação de militantes e quadros políticos para fortalecer a construção de um projeto popular para a América, além de estabelecer a unidade entre a juventude latina e suas respectivas organizações.

Cerca de 1000 pessoas de toda a America Latina e também de outros continentes devem participar do congresso. Somente hoje, mais de 300 jovens participaram da assembléia.

Para Cleber Folgado, do Movimento dos Pequenos agricultores, o congresso é uma atividade de extrema importância para dar continuidade e reforçar o processo de articulação que vem sendo construído pelos movimentos sociais que constituem a CLOC e a Via Campesina, como “a construção de bandeiras comuns, a articulação de lutas concretas e a socialização das experiências de cada organização”. Para Folgado, o “capitalismo tem mostrado diferentes faces em toda a América, e essa construção qualifica o processo de enfrentamento a este sistema de maneira unificada”.

A delegação do MPA no Equador está representada por 11 pessoas. Veja algumas fotos da abertura do Congresso durante a assembléia da Juventude:

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