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Archive for julho \22\UTC 2010

Estamos vivendo na era da tecnologia e modernidade, onde tudo se resolve com um simples toque num botão de computador ou com uma ida a um bom técnico especializado no assunto. Bom, supostamente era para ser assim…Mas quanto mais aumentam as tais tecnologias, mais aumenta a nossa dependência e o custo financeiro e social sobre elas.

Na medida em que foram se intensificando as técnicas para a agricultura e para a pecuária, foi se descartando o uso dos saberes populares, a chamada “ciência do concreto”, construída por nossas bases no decorrer da vivência com a realidade.

Já está mais que comprovado que existe necessidade de voltar a dominar as técnicas e tecnologias alternativas para lidar com nossas plantas e animais, sabendo que existem métodos práticos que nos tornam soberanos, quebrando a corrente de dependência do sistema. Por isso, inauguramos no nosso Blog uma sessão especial para divulgar receitas agroecológicas, resgatando as práticas tradicionais de cultivo utilizadas pelos camponeses.

Hoje apresentaremos três receitas voltadas para o controle alternativo de pragas e doenças nas criações. Confira:

PARA O CONTROLE DE BICHEIRAS EM TODOS OS ANIMAIS:

1 – Enxofre
Misturar enxofre com creolina ou benzocreol, até fazer uma pasta.
Aplicar sobre a bicheira do animal repetindo até a cura;

2 – Óleo fumo e alho
Misturar óleo queimado com fumo picado e alho, aplicar sobre a
bicheira;

PARA DIARRÉIA:

1 – Chá alternativo

Ingredientes:

  • folhas de pitanga, goiaba, camomila…
  • açúcar;
  • farinha de milho torrada;
  • sal;bicarbonato;
  • maisena;
  • cal;
  • carvão vegetal;

Modo de preparo:

Fazer chás de folhas das seguintes plantas: pitanga, goiaba, camomila, ameixa, romã, boldo. Acrescentar um pouco de açúcar, sal, 3 colheres de farinha de milho torrada por litro de chá, 1 colher de bicarbonato, 1 colher de sopa de maisena, 1 colher de cal, 1 colher de carvão vegetal;

Fornecer de 1/2 litro  a 1 litro por dia;

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Por Thalles Gomes
Ti Rivye Latibonit/Haiti

Muitos são os desafios do povo haitiano na tarefa de reconstrução do país após o terremoto e 12 de Janeiro de 2010 que vitimou mais de 300 mil pessoas e desabrigou outras 1,5 milhão.  No entanto, uma das demandas mais emergenciais – e que já dificultava a vida de milhões de
haitianos bem antes do terremoto – é a do acesso à água limpa.

Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), um em cada dois haitianos não tem acesso à água potável. Se somarmos isso ao fato de que apenas 19% da população têm acesso ao sistema de saneamento básico, e que esses dados não contabilizam os danos da catástrofe de 12 de Janeiro, podemos perceber a gravidade e centralidade da questão da água no panorama atual do país.

Enquanto algumas multinacionais propõem como saída para esse dilema a privatização da água, transformando-a cada vez mais em mera mercadoria  – a Nestlé, por exemplo, colocou em circulação cerca de 1 milhão de dólares em garrafas de água no país após o terremoto – há os que buscam outras formas de solidariedade. Os movimentos sociais que compõem a Via Campesina Brasil, por exemplo, estão compartindo com os camponeses haitianos as experiências e técnicas de captação da água da chuva.

Com índices pluviométricos anuais que variam de 500mm nas regiões mais áridas a 2.500mm nas montanhas, o Haiti possui um média anual de incidência de chuvas semelhantes a algumas das regiões mais úmidas no Brasil. De fato, não falta água no Haiti, o que falta é um melhor
aproveitamento da que já existe. Diante disso, a técnica de captação de água da chuva através de cisternas e seu posterior reaproveitamento tanto para uso humano como para atividades produtivas agropecuárias se onfigura como uma das soluções mais viáveis para o problema do acesso à água limpa no país.

Uma troca de experiências nessa área já está em curso há alguns anos entre movimentos camponeses haitianos e brasileiros. A ida de técnicos brasileiros ao Haiti e a visita de camponeses e lideranças haitianas ao Brasil vêm alastrando e divulgando as diversas técnicas de construção e utilização de cisternas.  Entretanto, após o terremoto de 12 de Janeiro, tornou-se necessária intensificar e incrementar essa troca.

Por esse motivo, uma parceria entre a Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate a Pobreza do Governo da Bahia, a Coordenação-Geral de Ações Internacionais de Combate à Fome do Ministério de Relações Exteriores e a Via Campesina Brasil está proporcionando a entrega de 1.284 cisternas emergências de polietileno às famílias camponesas haitianas.

Este tipo de especial de cisterna, com capacidade para armazenar até 8 mil litros de água, por ser feita de material mais flexível e financeiramente mais acessível é o mais indicado para atender as necessidades emergenciais dos camponeses e camponesas haitianos.

Estas 1.284 cisternas desembarcaram em solo haitiano no dia 10 de Junho de 2010 e através da ação da Brigada da Via Campesina Brasil no Haiti e os movimentos camponeses haitianos já começaram a ser distribuídas e instaladas em diversas regiões do país. Comunidades camponesas nos departamentos Norte, Noroeste, Nordeste, Latibonit, Central, Oeste, Sudeste, Nippes e Grandanse já receberam as cisternas. O passo atual é o da formação técnica e política, para que as comunidades beneficiadas possam não só instalar as cisternas em suas
casas, como também compreender os entraves e desafios que a problemática do acesso à água enfrenta no Haiti e no mundo. Esta formação já está em curso, organizada pelos movimentos camponeses haitianos e a Brigada da Via Campesina Brasil no Haiti.

As primeiras cisternas já foram instaladas. A perspectiva é que para o próximo período 30 mil cisternas sejam enviadas ao Haiti. Um exemplo concreto de solidariedade entre os povos, que não precisa nem de armas nem de lucros para se efetivar.

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